segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Entrevista a Mário Augusto - cinema

Mário Augusto é o jornalista português mais conhecido por entre as estrelas de Hollywood, tendo uma ocupação que inspira o sonho de muitos jovens: o privilégio de avançar a barreira que divide os espectadores de cinema e a magia de Hollywood.




Aos 43 anos, após 20 anos de carreira, Mário Augusto ainda tem a gaveta cheia de projectos. Jodie Foster, Meryl Streep, Tom Cruise, Denzel Washington, Robert De Niro... muitas são as estrelas com quem já conversou e partilhou um pouco da magia do cinema. Mas, desde Gaia até ao Passeio de Los Angeles, Mário confessa ter havido muito trabalho, sorte e, sobretudo, uma constante procura de fazer coisas diferentes no cinema. «Nunca desisti de pôr em pratica aquilo que gostava de fazer. Hoje em dia, os tempos são outros, saem muitos jovens da universidade e com menos oportunidades, mas o segredo é ter muita vontade de conseguir e nunca desistir dos sonhos».
O Cinema é um moínho de sonhos, por excelência... e deslumbrou Mário Augusto pela primeira vez no Cinanima (Festival de Cinema de Espinho) e deslumbrou em Los Angeles quando viu as letras "HOLLYWOOD" pela primeira vez e deslumbra em cada produção que participa, como se fosse a primeira vez. «A sensação é de entrar num bilhete postal, ao avistar as letras na montanha, mas depois torna-se rotineiro. O Passeio da Fama é apenas uma vertente profissional. Às vezes, o que me dá mais gozo é o trabalho que crio e desenvolvo em equipa para televisão».

Jornalista do canal SIC, Mário tem feito vários projectos para televisão e prepara um novo desafio para breve. «Chama-se "A Passagem", é uma curta-metragem de ficção que promete enternecer as pessoas. O resto fica por descobrir...» O papel de realizador fascina por completo Mário Augusto, não fosse Spielberg o seu maior ídolo. «O que mais me atrai nos bastidores das grandes produções é saber como foi feito. Está tudo na cabeça do realizador e se ele não tiver a equipa certa para tornar essa ideia realidade, é muito complicado».



Apesar da transição tecnológica que o cinema está a passar actualmente, a essência artística da Sétima Arte não poderá ser adulterada, pois as máquinas não fazem as boas histórias. «A simplicidade do plot, muitas vezes é o segredo para um bom filme. Hitchcock dormia sempre com uma caneta e um bloco. Um dia acordou e lembrou-se que tinha tido uma ideia fantástica durante a noite e o que estava escrito no bloco era simplesmente "rapaz conhece rapariga"». Passando por outros exemplos, Mário referiu "Babel", de Alejandro González Iñárritu, como sendo extremamente complexo e fascinante, mas baseando-se simplesmente numa história de pais e filhos, assim como o "E.T.", de Spielberg, é simplesmente uma história de amizade.

Em Portugal, seria preciso mais do que um bom plot para atrair o público. «Estamos muito dependente de subsídios. Temos de fazer um trabalho pé-ante-pé para conquistar o público português, ver o que mais lhe agradou num filme e ir misturando os ingredientes certos, com crescente qualidade. A televisão podia ajudar mais o cinema português, com iniciativas do género SICFilmes que marcou o país». A parte boa é que o número de criações cinematográficas de qualidade pela nova geração têm vindo a crescer. Um índice de sucesso, tal qual na nossa vida, quando temos muitos projectos. «Compete-nos a nós fazer que o filme da nossa vida tenha um final feliz. O truque está em ter sempre muitos projectos, sabendo que, de dez projectos, dois vão ser realizados» .

Escrever sobre o lado humano das estrelas de Hollywood foi um dos projectos que concretizou. "Mais bastidores de Hollywood" é o segundo livro de Mário Augusto, lançado em 2006, onde podemos encontrar curiosidades sobre as estrelas de Hollywood e da própria história do Cinema, sendo que as receitas do livro revertem a favor da Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral. «Tento, através do movimento "O Sorriso da Rita" que é inspirado na incapacidade da minha filha, ajudar as pessoas a encarar esta realidade de forma mais natural e a sonhar com melhores meios.»

Nos bastidores de Hollywood, quando chega a hora da entrevista, não há emoção. «É um trabalho para eles e para nós. Tento tirar o melhor partido daqueles dois minutos. Mas as emoções surgem a posteriori, ao ver as cassetes.» Mário realça a sua admiração pela naturalidade do já falecido Jack Lemon e pela delicadeza de Meryl Streep. Jodie Foster é realçada pela sua inteligência e, com Spielberg, parece que as conversas são sempre curtas demais.

«Uma arte mágica que nos leva para mundos onde dificilmente conseguiríamos chegar, fazendo-nos sonhar de uma forma muito especial.» Mário define desta forma o cinema. Ao contrário de ler um livro, ir ao cinema é um acto cultural, em que os filmes consistem, não no que vemos, mas no que trazemos connosco para casa. «A TV é toda ela muito efémera. Sonho durante semanas, para realizar em três minutos. O gozo do percurso acaba por ser mais importante que o momento.»

E é essa mensagem que Mário Augusto deixa aos jovens: nunca deixar de sonhar, pois é a única forma de conseguir o que se deseja... ou de encontrar um novo atalho, no caminho idealizado.


Filme de referência: "E.T." e "Citizen Kane" Estilo de filme preferido: romance e comédias ligeiras Actor/Actriz preferidos: Al Pacino e Meryl Streep Site preferido: imdbpro.com Livro preferido: "Peyton Place" de Grace Metalious e "A Insustentável Leveza do Ser" de Milan Kundera Hobbie preferido: ler, escrever, ver filmes Vício: coleccionar Viagem de sonho: volta ao mundo Carro preferido: o meu Peugeot (é apenas um instrumento de trabalho) Animal preferido: de peluche e com pilhas Sobremesa preferida: leite creme Perfume preferido: Croma Azzaro



Fonte: Teresa Costa Malheiro (portal da Juventude de Gaia)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Ser Artista




"O artista , mesmo aquele que mais se coloca à margem da convivência, influenciará, necessariamente através da sua obra, a vida e o destino dos outros. Mesmo que o artista escolha o isolamento como melhor condição de trabalho e criação, pelo simples facto de fazer uma obra de rigor, de verdade e de consciência, ele está a contribuir para a formação de uma consciência comum. Mesmo que fale somente de pedras ou de brisas a obra do artista vem sempre dizer-nos isto: Que não somos apenas animais acossados na luta pela sobrevivência, mas que somos (...) herdeiros da liberdade e da dignidade do ser."




sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Quais as 7 artes?